
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
.: Porta-Retrato :.
Já não se reconhecia mais.
O tempo em que se sentia feliz com qualquer coisa passou.
E era feliz.
Sentia-se feliz em assistir ao pôr-do-sol ao lado de uma boa companhia. Não que
isso já não fosse mais interessante, mas simplesmente não acontecia.
Sentia-se feliz em comprar uma roupa nova. Não que agora não gostasse, mas pensa se a nova peça é realmente necessária.
Sentia-se feliz em fazer novos amigos. Não que agora não gostasse mais, mas, cadê o tempo?
Ficava feliz com a expectativa de um telefonema. Não que ainda não esperasse,
mas pensava que se alguém ligasse, não poderia manter a conversa por muito tempo.
Ficava feliz em fazer planos, voar alto, sonhar. Não que agora não sonhasse mais, mas seu sonhos eram apenas por uma fração de segundos, enquanto firmava o pé novamente no chão.
Agora, buscava sempre por mais, mas sempre ficava no menos.
Não tinha mais amigos. Não tinha mais tempo. Não tinha mais amores.
Caminhava só, com o pensamento na agenda que deveria cumprir.
Ao olhar o porta-retrato em cima da mesa, via apenas um alguém sorrindo.
Nem sabia o que era isso. Não havia mais tempo para superficialidades.
By A.
[05/03/2007]
O tempo em que se sentia feliz com qualquer coisa passou.
E era feliz.
Sentia-se feliz em assistir ao pôr-do-sol ao lado de uma boa companhia. Não que
isso já não fosse mais interessante, mas simplesmente não acontecia.
Sentia-se feliz em comprar uma roupa nova. Não que agora não gostasse, mas pensa se a nova peça é realmente necessária.
Sentia-se feliz em fazer novos amigos. Não que agora não gostasse mais, mas, cadê o tempo?
Ficava feliz com a expectativa de um telefonema. Não que ainda não esperasse,
mas pensava que se alguém ligasse, não poderia manter a conversa por muito tempo.
Ficava feliz em fazer planos, voar alto, sonhar. Não que agora não sonhasse mais, mas seu sonhos eram apenas por uma fração de segundos, enquanto firmava o pé novamente no chão.
Agora, buscava sempre por mais, mas sempre ficava no menos.
Não tinha mais amigos. Não tinha mais tempo. Não tinha mais amores.
Caminhava só, com o pensamento na agenda que deveria cumprir.
Ao olhar o porta-retrato em cima da mesa, via apenas um alguém sorrindo.
Nem sabia o que era isso. Não havia mais tempo para superficialidades.
By A.
[05/03/2007]
domingo, 19 de setembro de 2010
.: Yom Kippur :.

Neste fim de semana, do pôr-do-sol da sexta-feira ao pôr-do-sol do sábado, foi comemorado o Yom Kippur, ou dia do perdão, uma celebração tradicionalmente judaica. Gosto de todas essas festas e tradições, afinal ja participei de várias delas e acho todas fascinantes.
Fui trabalhar na sexta-feira pensando sobre essa celebração e no quão difícil é às vezes perdoar. Tenho feito uma oração constante a D-s pedindo para que Ele me ajude nessa “missão”, mas penso que meu coração esta um pouco endurecido pra isso. Não que não queira, mas as lembranças não me permitem no momento. Não quero viver com isso, não quero ficar remoendo mágoas, não quero esse peso eterno nas costas, mas quando tento, lá vem a dor novamente me provocando, me incitando, me torturando. Isso é triste.
A questão é, muitas vezes a pessoa que te feriu esta vivendo sua vida na maior paz, feliz da vida, sem nem saber o que deixou em você, enquanto você se tortura e se maltrata por não conseguir esquecer.
Por experiência própria sei que o perdão beneficia muito mais aquele que dá do que aquele que recebe.
Não participei dos costumes do Yom Kippur (jejum e oração), mas sei que em algum momento, de alguma forma, D-s me ajudará a perdoar esse alguém, que possivelmente não tem idéia do mal que me fez, para que eu viva da forma que Ele sempre desejou: em paz.
Então Pedro chegou perto de Jesus e perguntou:
Fui trabalhar na sexta-feira pensando sobre essa celebração e no quão difícil é às vezes perdoar. Tenho feito uma oração constante a D-s pedindo para que Ele me ajude nessa “missão”, mas penso que meu coração esta um pouco endurecido pra isso. Não que não queira, mas as lembranças não me permitem no momento. Não quero viver com isso, não quero ficar remoendo mágoas, não quero esse peso eterno nas costas, mas quando tento, lá vem a dor novamente me provocando, me incitando, me torturando. Isso é triste.
A questão é, muitas vezes a pessoa que te feriu esta vivendo sua vida na maior paz, feliz da vida, sem nem saber o que deixou em você, enquanto você se tortura e se maltrata por não conseguir esquecer.
Por experiência própria sei que o perdão beneficia muito mais aquele que dá do que aquele que recebe.
Não participei dos costumes do Yom Kippur (jejum e oração), mas sei que em algum momento, de alguma forma, D-s me ajudará a perdoar esse alguém, que possivelmente não tem idéia do mal que me fez, para que eu viva da forma que Ele sempre desejou: em paz.
Então Pedro chegou perto de Jesus e perguntou:
- Senhor, quantas vezes devo perdoar o meu irmão que peca contra mim? Sete vezes?
- Não - respondeu Jesus. - Você não deve perdoar sete vezes, mas setenta e sete vezes.
[Mateus 18:21 e 22]
by A.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
.: A Libertação :.
Sempre gostei da mitologia da Fênix, a ave que, após entrar em combustão e morrer queimada, ressurge das próprias cinzas ainda mais forte e renovada. Gosto e sempre me valia dela quando queria superar alguma grande decepção. De alguma forma matava aquilo dentro de mim, e superava a decepção. Isso aconteceu algumas vezes e sempre tive sucesso, menos em minhas ultimas tentativas. Parece que a decepção foi maior que minha vontade de “morrer” e minha perseverança em tentar. Algo realmente morreu dentro de mim. Talvez minha coragem... rs... Ou aquele sorriso sem tristeza. Mas não era a minha felicidade que eu queria matar, era minha tristeza. E o máximo que consegui foi parar nas cinzas. Uns dias atrás recebi uma noticia que pra mim poderia ter sido a maior catástrofe, mas ao recebê-la, minha reação foi agradecer a D-s pelo que Ele havia feito por mim, por ter me livrado daquele mal. E a verdade é que FINALMENTE me senti liberta. Não sei exatamente de que ou porque, mas senti. E foi uma sensação muito boa! Se consegui renascer? Ainda não. Continuo nas cinzas. Mas posso sentir; a redenção está próxima.
[3-3]
by A.
[3-3]
by A.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
.: O Recomeço :.
Amanhecia.

Insetos, aves e alguns roedores passeavam pela pequena caverna a procura de alimento entre as rochas. Tudo parecia tranquilo quando algo se move. Os animais saem assustados levantando poeira e folhas secas. Das cinzas, o movimento chama a atenção dos sempre curiosos roedores que voltavam e observavam de longe. A massa disforme aos poucos se transforma tomando forma. Cabeça, corpo, patas, asas... Penas. Um sopro. Um trinado.
Vida.
Das cinzas ressurge, mais bela, forte e reluzente que nunca.

Insetos, aves e alguns roedores passeavam pela pequena caverna a procura de alimento entre as rochas. Tudo parecia tranquilo quando algo se move. Os animais saem assustados levantando poeira e folhas secas. Das cinzas, o movimento chama a atenção dos sempre curiosos roedores que voltavam e observavam de longe. A massa disforme aos poucos se transforma tomando forma. Cabeça, corpo, patas, asas... Penas. Um sopro. Um trinado.
Vida.
Das cinzas ressurge, mais bela, forte e reluzente que nunca.
A Fênix
[2-3]
by A.
domingo, 29 de agosto de 2010
.: O fim... :.
Sentindo-se velha e cansada, a ave voava ao redor da montanha. Já havia escolhido o lugar ideal, mas por mais que tentasse, não conseguia. Pousava, ficava, esperava, lutava, se concentrava e como nada acontecia, voltava a voar. Foram dias e dias de muitas tentativas. Fizera isso outras vezes, mas não compreendia porque dessa vez não conseguia. Tentava relembrar o processo. Nada.A primeira vez que viu suas asas queimar sentiu-se aterrorizada. Pensou que jamais voaria novamente, mas ao contemplá-las agora, mal lembrava que um dia deixaram de existir.
Uma grande tempestade estava a caminho. Podia ver a escuridão do céu se aproximando. Voou mais uma vez até o alto da montanha entre as pedras escarpadas de seu ninho improvisado. Tinha que ser agora. A velocidade fazia com que suas penas, serpenteantes ante o vento, reluzissem na fraca luz do dia. Planava junto ao solo rochoso e já sentia a brisa trazendo gotículas da chuva vindoura.
Era ali, próximo a um arbusto, numa caverna aberta pela ação do tempo. Baixou as asas e pousou caminhando brevemente para a escuridão. Aconchegou-se entre as pedras já percebendo faíscas saindo sob as penas avermelhadas. Abriu as asas, levantou a cabeça aguardando o que esperara por tanto tempo. Pequenas labaredas logo se transformaram em grandes chamas que envolviam todo seu corpo. Lá fora a chuva agora caia torrencialmente, com raios, relâmpagos e trovoadas cortando o céu. Um leve trinado se ouvia entre as crepitações do fogo e o som da chuva. Altas chamas agora consumiam a ave que aos poucos se rendia a sua sorte. Em pouco tempo tudo acabou. Do fogo só restaram as cinzas de onde a ave havia se aninhado.
Silencio.
Não se ouvia mais a chuva. Um vento suave entrava pela caverna onde a fumaça que se extinguia lentamente...
[1-3]
by A.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
.: Admirador Nada Secreto :.

Sexta-feira à noite estava sossegadinha na minha casa escrevendo uma dedicatória num livro que ia dar de presente quando escuto um carro parando em frente de casa. Nem me abalei, afinal, a rua é movimentada. Mas os cachorros começaram a latir e pouco depois vem minha mãe: “Filha, o (...) ta aí”.
Na hora o sangue ferveu. Senti o rosto queimando, a respiração alterando e o peito apertando. Fúria. Esse cara não se liga? Será que é difícil entender o que digo? Será que não fui clara o suficiente quando falei que não quero nada com ele?
Terminei de escrever nem sei como. Fui pro quarto tirar o pijama e pôr uma roupa mais quente e saí furiosa pelo quintal batendo a porta. Mas assim que abri o portão, “quebrei as pernas”. Ele estava um enfeite de rosas com um cartão perfumado e um sorriso estampado no rosto. Fiquei sem graça. Como posso sentir tanta raiva de alguém que só quer me agradar? Ele faz mil coisas que abomino num homem, mas sei que, do jeito “errado” dele, está apenas tentando encontrar um meio de ganhar minha atenção. Muitas garotas adorariam receber esse tratamento “VIP”, mas eu me irrito. Claro que não foi sempre assim. Ele me irrita. Várias vezes dou altos cortes dizendo o que penso sobre o que ele está falando, sendo muitas vezes até grossa, mas ele continua. Nem se liga do que acabei de dizer (pelo menos é o que parece).
Não faço por mal. Falei pra ele que não posso dar o que ele procura. Que não tenho nada a oferecer. Que ele busca água num pote vazio. Mas ele insiste em me agradar.
E como é que sinto raiva de uma criatura dessas?! Sei lá. Apenas sinto.
Minha mãe bem disse “Coitado do cara que tentar conquistar seu coração agora.”
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